Tecnologias de baixo carbono chegam a 60 famílias rurais da Bacia Leiteira de Alagoas

Patrisia Ciancio e Anne Clinio | 11 de outubro de 2022

Instituto aposta no conhecimento e investe na capacitação de jovens agricultores como Agentes de Desenvolvimento Local

Prática de internação na Unidade Demonstrativa no município de Jaramataia

Um pacto pela sustentabilidade no semiárido está sendo realizado no interior dos estados do Nordeste com as ações do PRS Caatinga e as 20 organizações apoiadas pelo Projeto. Uma delas é fruto da parceria com o Instituto Irmã Dorothy (IRDA), em Alagoas, que trabalha para que cerca de 60 famílias agricultoras adotem em suas produções as Tecnologias Agrícolas de Baixo Carbono (TecABCs), na região da Bacia Leiteira. Um conhecimento novo que chega aos produtores pelas mãos de assistentes técnicos e extensionistas rurais que participaram, no ano passado, do Programa de Capacitação promovido pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)

O IRDA vem investindo fortemente na formação de novas lideranças em agricultura de baixo carbono nas comunidades onde tem atuação. E também em atividades que inovam no campo com um olhar para o futuro, como a capacitação para jovens agricultores, realizada no mês de setembro, promovendo o cultivo de plantas fitoterápicas – entre elas, a Babosa ou Aloe Vera -, usada para a cura de animais envolvidos na produção local. A iniciativa é fruto da parceria do IRDA com outra entidade apoiada pelo PRS Caatinga, o Fundo Nacional de Permanência na Terra – FUNPET, para formação de Agentes de Desenvolvimento Local (ADL). 

 

Colaboração entre organizções apoiadas pelo PRS Caatinga foca no protagonismo juvenil

O coordenador técnico das ações no IRDA, Suelzir Enio da Silva Costa, destaca que nesse trabalho em conjunto foi selecionado um grupo de jovens para participar de um processo formativo em Agente de Desenvolvimento Local. A capacitação está socializando os novos conhecimentos construídos durante o Programa de Capacitação em Tecnologias Agrícolas de Baixo Carbono entre os agricultores, especialmente os jovens. O objetivo é que eles incorporem as TecABCs e os princípios de sustentabilidade nas suas atividades cotidianas. 

“A importância do PRS é a possibilidade de fazer o acompanhamento técnico dessas famílias. Às vezes, se inicia um processo de capacitação, mas não se tem continuidade. O PRS Caatinga veio fortalecer a continuidade no processo de transição para uma agricultura de baixo carbono para essas famílias”, ressaltou o coordenador, complementando:   

– Nas ações do IRDA em parceria com o PRS Caatinga vemos a construção compartilhada de conhecimento com as famílias envolvidas, especialmente na conservação da água e do solo. A internalização dos conhecimentos fixa o entendimento do que são as TecABCs. Dessa maneira, não é apenas um Projeto e sim um ensinamento de vida. Ensinamento de que se pode conviver com as adversidades climáticas do semiárido. Essa é uma das missões mais árduas e encantadoras de um povo resiliente que, vivendo no semiárido, se propõe a ter a dignidade de vida, dignidade produtiva, e sua representação no mundo. Essas pessoas, em situação de vulnerabilidade social, transformam aquelas atividades produtivas em respeito ao meio ambiente. 

A partir dos conhecimentos de TecABC e dos princípios da Agroecologia, o IRDA está implementando o Sistema de Plantio Direto (SPD) em diversas propriedades de agricultores familiares. Essa tecnologia de baixo carbono reduz a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE), diminui custos de produção e melhora a qualidade do solo. Além disso, os agricultores também passaram a cultivar plantas fitoterápicas que serão utilizadas para prevenção e cura de animais envolvidos em atividades produtivas. 

 

Exemplo de SPD com cultivo de milho sobre palhada de braquiária, (Imagem: João Henrique Zonta)

 

 

Conhecimento das TecABCs reduz os gastos das famílias

Edvânio dos Santos, agricultor

Edvânio Alexandre dos Santos mora em Jaramataia, Alagoas, no povoado Altão. Agricultor, com cursos nas áreas de Agroecologia e Pedagogia, ele é um dos selecionados para participar das ações do PRS Caatinga-IRDA-FUNPET. Sobre a experiência, Edvânio destaca os benefícios de conhecer as tecnologias de baixo carbono. 

“Os assistentes técnicos trouxeram uma renovação para a nossa propriedade e estão nos apoiando muito. Essa parceria, do IRDA e do PRS Caatinga, traz questões inovadoras e com esse conhecimento o agricultor valoriza mais o espaço onde habita. Uma das importâncias é a valorização das terras, trazendo conservação para o nosso meio ambiente”, disse.

Segundo o agricultor, um dos benefícios de ter participado da capacitação para se tornar um Agente de Desenvolvimento Local foi a execução propriamente dita. “Aplicar as tecnologias de baixo carbono fez com que ele mesmo executasse as atividades para levar melhorias para a sua propriedade. “Isso trouxe um grande benefício para o meio ambiente e a redução do custo de produção, que trouxe uma estabilidade para a questão financeira. Trouxe um benefício muito bom para a nossa família”, afirmou Edvânio. 

O agricultor disse ainda que “a capacitação nos ajudou a executar o projeto e no outro ponto na questão do aprendizado. O objetivo era alcançar cada jovem a fim de executar seu projeto. Esse apoio da parceria significa a redução dos gastos das famílias. Aqui mesmo na unidade que foi plantada pelo projeto houve uma redução de gastos na alimentação do animal. Então essa capacitação ajudou a executar a tecnologia e reduzir os gastos”.