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	<title>Rural Sustent&#225;vel - Caatinga</title>
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	<description>Conhe&#231;a o Projeto que promove a ado&#231;&#227;o de Tecnologias de Agricultura de Baixa Emiss&#227;o de Carbono para o Manejo Sustent&#225;vel da Caatinga.</description>
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		<title>Rural Sustent&#225;vel - Caatinga</title>
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		<title>PRS Caatinga mostra que bioma pode ser tornar celeiro de pol&#237;ticas p&#250;blicas para o combate &#224; desertifica&#231;&#227;o</title>
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		<dc:creator>Juliana Braga</dc:creator>


		<dc:subject>Dia Mundial de Combate &#224; Desertifica&#231;&#227;o</dc:subject>
		<dc:subject>PRS Caatinga</dc:subject>
		<dc:subject>Agricultura de Baixo Carbono</dc:subject>
		<dc:subject>Caatinga</dc:subject>
		<dc:subject>Floresta Seca</dc:subject>
		<dc:subject>Agricultura Familiar</dc:subject>
		<dc:subject>Inova&#231;&#227;o</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;Projeto inova ao inserir instrumentos agr&#237;colas na produ&#231;&#227;o familiar, melhorando o solo&lt;/p&gt;

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&lt;a href="https://prscaatinga.org.br/-noticias-" rel="directory"&gt;Not&#237;cias&lt;/a&gt;

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&lt;a href="https://prscaatinga.org.br/+-dia-mundial-de-combate-a-desertificacao-2-+" rel="tag"&gt;Dia Mundial de Combate &#224; Desertifica&#231;&#227;o&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://prscaatinga.org.br/+-prs-caatinga-+" rel="tag"&gt;PRS Caatinga&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://prscaatinga.org.br/+-agricultura-de-baixo-carbono-+" rel="tag"&gt;Agricultura de Baixo Carbono&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://prscaatinga.org.br/+-caatinga-18-+" rel="tag"&gt;Caatinga&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://prscaatinga.org.br/+-floresta-seca-+" rel="tag"&gt;Floresta Seca&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://prscaatinga.org.br/+-agricultura-familiar-+" rel="tag"&gt;Agricultura Familiar&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="https://prscaatinga.org.br/+-inovacao-+" rel="tag"&gt;Inova&#231;&#227;o&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://prscaatinga.org.br/local/cache-vignettes/L150xH80/francisco-campellosite-9bfdf.jpg?1762996091' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='80' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Resiliente por natureza, a Caatinga pode ser tornar um celeiro de novas pol&#237;ticas p&#250;blicas para o combate &#224; desertifica&#231;&#227;o. O Projeto Rural Sustent&#225;vel (PRS) Caatinga vem promovendo a inclus&#227;o de tecnologias de baixo carbono na cultura da agricultura familiar. Como resultado, uma produ&#231;&#227;o agropecu&#225;ria sustent&#225;vel, um bioma com maior diversidade de esp&#233;cies, aumento da renda familiar agr&#237;cola e menos danos ao Meio Ambiente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Neste Dia Mundial de Combate &#224; Desertifica&#231;&#227;o e &#224; Seca, o coordenador regional do PRS Caatinga, Francisco Campello, fala sobre o papel da agricultura familiar no combate a este fen&#244;meno e como a experi&#234;ncia com o PRS Caatinga pode inspirar a&#231;&#245;es de conserva&#231;&#227;o em todos os biomas.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&#034;spip&#034;&gt;Como a experi&#234;ncia do PRS Caatinga pode contribuir para o combate &#224; desertifica&#231;&#227;o?&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Francisco Campello&lt;/strong&gt; &#8211; O Projeto Rural Sustent&#225;vel Caatinga tem apresentado resultados interessantes para as pol&#237;ticas p&#250;blicas com rela&#231;&#227;o ao combate &#224; desertifica&#231;&#227;o. O primeiro &#233; uma atua&#231;&#227;o muito forte na quest&#227;o das pr&#225;ticas de conserva&#231;&#227;o de solo. O Brasil se posicionou pela pol&#237;tica de degrada&#231;&#227;o zero, ou seja, a neutraliza&#231;&#227;o dos processos de degrada&#231;&#227;o do solo, por isso foi criado o Pr&#234;mio Dryland Champion. Neste contexto, o PRS Caatinga vem apresentando modelos de sistemas produtivos que asseguram, por um lado, a conserva&#231;&#227;o do solo e da &#225;gua, por meio de seu uso estrat&#233;gico e permanente em todos os seus sistemas de pr&#225;ticas de conserva&#231;&#227;o do solo. Por outro, com as propostas de valoriza&#231;&#227;o do uso sustent&#225;vel da biodiversidade da Caatinga, seja como supridor de forragem para os animais, seja como fornecedor de energia na forma biomassa para as ind&#250;strias. Essa abordagem do PRS &#233; extremamente interessante do ponto de vista das pol&#237;ticas p&#250;blicas.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&#034;spip&#034;&gt;A proposta do projeto &#233; trazer tecnologias inovadoras, as chamadas TecABC, para a rotina dos pequenos produtores rurais. Como isso impacta o combate &#224; desertifica&#231;&#227;o?&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Campello&lt;/strong&gt; &#8211; O projeto apresenta este quadro inovador dos implementos agr&#237;colas voltados para a pequena produ&#231;&#227;o. Isso faz com que o solo seja mais bem trabalhado, evitando os processos de degrada&#231;&#227;o. O PRS Caatinga vem apresentando exemplos de sistemas produtivos que podem ser inseridos em pol&#237;ticas p&#250;blicas. Os sistemas de manejo e as pr&#225;ticas de conserva&#231;&#227;o de solo, al&#233;m da quest&#227;o dos implementos agr&#237;colas adaptados &#224; pequena produ&#231;&#227;o, s&#227;o sistemas produtivos modernos e que promovem a conserva&#231;&#227;o ambiental.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&#034;spip&#034;&gt;Como isso acontece na pr&#225;tica?&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Campello&lt;/strong&gt; &#8211; O projeto traz uma oportunidade de demonstrar o que &#233; trabalhar com o agricultor familiar de uma forma mais humanizada, valorizando o seu esfor&#231;o f&#237;sico. Ao inserir instrumentos como o tratorito, ro&#231;adeira, motosserra e perfurador de solo, que s&#227;o equipamentos de baix&#237;ssimo custo, permitimos que o agricultor tenha um rendimento muito melhor. Com uma ro&#231;adeira, faz-se o rebaixamento de &#225;rvores. Com a motosserra, o radiamento certo, sem agredir a paisagem. Com os tratores e com os perfuradores, trabalha-se o solo de forma correta, evitando a eros&#227;o. Tudo isso agregando os principais vetores da desertifica&#231;&#227;o, que s&#227;o o desmatamento e as pr&#225;ticas inadequadas de produ&#231;&#227;o, que resultam na perda do que h&#225; de mais precioso, o solo. Quando se troca a enxada por um tratorito, voc&#234; coloca o agricultor em um ambiente moderno, por assim dizer, sem perder a caracter&#237;stica de agricultor familiar.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&#034;spip&#034;&gt;Neste caso, a moderniza&#231;&#227;o seria um instrumento para a mitiga&#231;&#227;o das mudan&#231;as clim&#225;ticas?&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Campello&lt;/strong&gt; &#8211; Em termos ambientais, essa moderniza&#231;&#227;o permite uma condi&#231;&#227;o de trabalho com menos agress&#227;o, com mais pr&#225;ticas de conserva&#231;&#227;o do Meio Ambiente. &#192;s vezes, as pr&#225;ticas deixam de ser implementadas por conta do custo ou pela demora. A&#237; o agricultor, na necessidade, planta de qualquer jeito. Com esses instrumentos, ele pode plantar da forma correta, mantendo todo um princ&#237;pio conservacionista e aumentando a sua produtividade. E o mais importante: sem perder a caracter&#237;stica de agricultor familiar. Estamos mostrando como &#233; poss&#237;vel realizar a neutraliza&#231;&#227;o da degrada&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&#034;spip&#034;&gt;A ado&#231;&#227;o dessas novas pr&#225;ticas implica tamb&#233;m em mudan&#231;a de cultura. Como isso pode impactar o desenvolvimento socioecon&#244;mico da regi&#227;o?&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Campello&lt;/strong&gt; &#8211; Estamos mostrando a viabilidade de uma ind&#250;stria adaptada a essa realidade de campo, com milhares de demandas que podem ser refletidas nos cr&#233;ditos, o que hoje n&#227;o se v&#234;. Um agricultor que receba do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) R$20.000 pode tranquilamente incorporar um tratorito de R$ 5.000, um perfurador de solo de R$ 1.500. Hoje, n&#227;o fazem por desconhecimento e, &#224;s vezes, por conta de falta de oportunidade de acesso. Futuramente, isso vai influenciar positivamente novas ind&#250;strias que surgirem na regi&#227;o, j&#225; adaptadas a essa realidade.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&#034;spip&#034;&gt;Para muitos, a Caatinga ainda &#233; a &#8220;mata branca&#8221;, uma floresta seca e improdutiva. Como o PRS est&#225; ajudando a mostrar o potencial produtivo e sustent&#225;vel do bioma?&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Campello&lt;/strong&gt; &#8211; A partir do momento que o projeto vem fomentando o acesso ao mercado da qualifica&#231;&#227;o de alguns produtos, a gente come&#231;a a construir uma outra percep&#231;&#227;o, com foco na import&#226;ncia desse recurso florestal para a socio economia da regi&#227;o. Dentro do nosso projeto temos institui&#231;&#245;es que trabalham com processos de comercializa&#231;&#227;o. Ent&#227;o voc&#234; j&#225; come&#231;a a ver que existem frutos comercializados como doces, polpa para sucos, geleias, bebidas, inclusive algumas cervejas. Al&#233;m disso, a parte forrageira, que hoje est&#225; muito presente nos sistemas silvipastoril, mostra o potencial da Caatinga para uma pecu&#225;ria verde. Do ponto de vista da alimenta&#231;&#227;o, em termos de agricultura regenerativa, isso significa menos emiss&#245;es de gases pelos ruminantes, pois a diversidade pastoril faz com que o ruminante reduza a emiss&#227;o de g&#225;s. E o maior emissor de gases no setor agropecu&#225;rio &#233; a pecu&#225;ria. O Sistema de Integra&#231;&#227;o Lavoura-Pecu&#225;ria-Floresta (ILPF), promovido pelo projeto, tamb&#233;m &#233; outro instrumento de mudan&#231;a de percep&#231;&#227;o, pois o animal usa o recurso florestal para se alimentar. Outro lado positivo de uma pastagem arb&#243;rea &#233; que n&#227;o h&#225; a remo&#231;&#227;o da Caatinga para o plantio de grama, como acontece em grandes propriedades. Na Caatinga, usa-se o suporte forrageiro mantendo a cobertura florestal, a paisagem, a biodiversidade e, com isso, fortalecendo os servi&#231;os ecossist&#234;micos.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Entrevista: A inven&#231;&#227;o da Caatinga como floresta seca e produtiva </title>
		<link>https://prscaatinga.org.br/entrevista-a-invencao-da-caatinga-como-floresta-seca-e-produtiva</link>
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		<dc:date>2021-07-17T23:39:00Z</dc:date>
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		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Patrisia Ciancio</dc:creator>


		<dc:subject>Caatinga</dc:subject>
		<dc:subject>Dia de Prote&#231;&#227;o &#224;s Florestas</dc:subject>
		<dc:subject>Floresta Seca</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;Confira o bate-papo para entender que ao contr&#225;rio do que se pensa, floresta seca &#233; vida&lt;/p&gt;

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&lt;a href="https://prscaatinga.org.br/+-floresta-seca-+" rel="tag"&gt;Floresta Seca&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img src='https://prscaatinga.org.br/local/cache-vignettes/L150xH101/chamada_site_felipe_melo-b2dcf.png?1763457334' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='101' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;De Euclides da Cunha &#224; energia e&#243;lica, a desconstru&#231;&#227;o do estere&#243;tipo da Caatinga como Floresta Seca &#8211; morta e improdutiva &#8211; se faz urgente para que a sociedade entenda o valor estrat&#233;gico do bioma para fins econ&#244;micos, culturais, sociais e bioecol&#243;gicos &#8211; o que passa essencialmente pela sua preserva&#231;&#227;o e valoriza&#231;&#227;o. &#201; o que o bi&#243;logo e professor da Universidade Federal de Pernambuco &lt;a href=&#034;http://lattes.cnpq.br/1637874338382368&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;Felipe Melo&lt;/a&gt; chama de &#8220;Inven&#231;&#227;o da Caatinga&#8221;. Nesta entrevista, o estudioso faz uma an&#225;lise da maior floresta seca da Am&#233;rica Latina para lembrar o Dia de Prote&#231;&#227;o &#224;s Florestas, comemorado em 17 de julho. As duas principais amea&#231;as para a Caatinga hoje s&#227;o a expans&#227;o da agricultura irrigada e o manejo pouco sustent&#225;vel da vegeta&#231;&#227;o como fonte de biomassa para combust&#237;vel, na vis&#227;o de Melo. &#8220;A Caatinga &#233; tamb&#233;m uma floresta de pessoas&#8221;, define o especialista, que na pluralidade e diversidade do bioma prefere chamar de &#8220;As Caatingas&#8221;, em suas marcantes varia&#231;&#245;es e manifesta&#231;&#245;es de exist&#234;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&#034;spip&#034;&gt;A Caatinga &#233; a maior floresta seca da Am&#233;rica Latina, ainda pouco estudada e reconhecida. Em contrapartida, estamos na D&#233;cada da Recupera&#231;&#227;o de Ecossistemas estabelecida pelas Na&#231;&#245;es Unidas. Como conciliar a urg&#234;ncia de preserva&#231;&#227;o do bioma com a falta de conhecimento pela sociedade?&lt;/h3&gt;&lt;div class='spip_document_42 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_right spip_document_right spip_document_avec_legende' data-legende-len=&#034;20&#034; data-legende-lenx=&#034;&#034;
&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://prscaatinga.org.br/local/cache-vignettes/L500xH281/prs-caatinga-dia-de-protecao-a-florestas-entrevista-felipe-melo-foto-joao-vital-1.--768x432-d550c.jpg?1767073740' width='500' height='281' alt='' /&gt;
&lt;figcaption class='spip_doc_legende'&gt; &lt;div class='spip_doc_credits '&gt;Imagem: Jo&#227;o Vital
&lt;/div&gt;
&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;A Caatinga &#233; um ecossistema &#250;nico, exclusivamente brasileiro. &#201; a maior floresta seca da Am&#233;rica Latina e o &#250;nico ecossistema que est&#225; totalmente circunscrito &#224;s fronteiras brasileiras. Todos os demais ecossistemas a gente de alguma forma compartilha com outros pa&#237;ses. Ela &#233; uma responsabilidade exclusivamente brasileira. No entanto, eu atribuo o seu desconhecimento a uma certa defasagem institucional acad&#234;mica que havia no Nordeste do Brasil e ao baixo interesse dos centros de pesquisa, que havia ao longo de d&#233;cadas. Isso mudou, de 20 anos para c&#225;, excelentes grupos de pesquisa se estabeleceram nas universidades do Nordeste e n&#243;s come&#231;amos a pagar essa d&#237;vida hist&#243;rica, de desconhecimento, de estereotipagem, que agora est&#225; sendo refeita. Eu gosto de chamar de um trabalho de inven&#231;&#227;o da Caatinga.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Caatinga foi inventada no passado por quem a olhava desde longe. A primeira grande inven&#231;&#227;o da Caatinga foi a obra de Euclides da Cunha, que separa a Caatinga em tr&#234;s dimens&#245;es: o homem sertanejo, que guarda essa rela&#231;&#227;o de depend&#234;ncia e manejo do ecossistema. A natureza, at&#233; hoje desconhecida e ainda mal compreendida pela pr&#243;pria ci&#234;ncia; o seu manejo e a sua recupera&#231;&#227;o. E a luta, do caatingueiro, que continua ativa na necessidade de desconstru&#231;&#227;o da estereotipagem do que &#233; seco, morto, de pouca vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Caatinga &#233; um ecossistema generoso, porque prov&#234; recursos naturais para a sobreviv&#234;ncia de 26 milh&#245;es de pessoas que moram nos seus dom&#237;nios. Apesar de seca, possui grandes rios, e talvez o mais importante que &#233; o Rio S&#227;o Francisco, que produz energia. Tamb&#233;m a Caatinga hoje &#233; um polo de energia e&#243;lica, 85% da energia e&#243;lica do Brasil &#233; produzida dentro da Caatinga e &#233; uma grande academia do bom viver entre as pessoas e a natureza. O sertanejo tem h&#225; s&#233;culos uma maneira de conviver com a Caatinga, ter um bom viver, reproduzir sua cultura, gerar novas, inventar, inovar. Tudo com a Caatinga.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&#034;spip&#034;&gt;Como podemos relacionar as florestas secas &#224;s quest&#245;es clim&#225;ticas globais?&lt;/h3&gt;&lt;div class='spip_document_43 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_left spip_document_left spip_document_avec_legende' data-legende-len=&#034;20&#034; data-legende-lenx=&#034;&#034;
&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://prscaatinga.org.br/local/cache-vignettes/L500xH333/prs-caatinga-dia-de-protecao-a-florestas-entrevista-felipe-melo-foto-joao-vital-2.--660fa.jpg?1767073740' width='500' height='333' alt='' /&gt;
&lt;figcaption class='spip_doc_legende'&gt; &lt;div class='spip_doc_credits '&gt;Imagem: Jo&#227;o Vital
&lt;/div&gt;
&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;A mudan&#231;a clim&#225;tica vai muito al&#233;m do carbono. O mais importante &#233; a rela&#231;&#227;o direta que teremos com os ecossistemas. Os ecossistemas s&#227;o respons&#225;veis pelo bem-estar humano porque eles prov&#234;m servi&#231;os. E a Caatinga &#233; um dos ecossistemas que prov&#234; maior quantidade de servi&#231;os diretos para as pessoas. Temos 26 milh&#245;es de pessoas usando a Caatinga de maneira mais ou menos sustent&#225;vel, por s&#233;culos. A Caatinga que d&#225; de comer ao bode, onde est&#225; 95% do rebanho caprino do Brasil. Nos oferece uma variedade de cultivares de milho, feij&#227;o, adaptados &#224; seca. E a farmacop&#233;ia brasileira que as pessoas foram criando ao longo do tempo. Tudo isso faz parte das contribui&#231;&#245;es da Caatinga.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando a gente observa as mudan&#231;as clim&#225;ticas, temos que entender que s&#227;o 26 milh&#245;es de pessoas atualmente suscet&#237;veis a migra&#231;&#245;es for&#231;adas, quebra na produ&#231;&#227;o agr&#237;cola, inseguran&#231;a alimentar, sa&#250;de e quest&#245;es econ&#244;micas e sociais que v&#227;o ser afetadas fortemente, uma vez que os cen&#225;rios de mudan&#231;a clim&#225;tica se cumpram para a Caatinga. Cen&#225;rios que preveem aumento da sazonalidade, secas mais severas e eventualmente inunda&#231;&#245;es. Chuvas muito severas, que s&#227;o danosas para o ecossistema da Caatinga. A gente pensa muito em carbono, mas hoje eu prefiro pensar nos benef&#237;cios diretos de todas as florestas, incluindo aquelas que t&#234;m muito carbono. E a Caatinga, apesar de n&#227;o ter muito carbono em quantidade absoluta, ela fixa mais carbono do que emite. O que &#233; muito importante.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Saiu recentemente um estudo interdisciplinar aqui do Nordeste mostrando que a Caatinga tem um balan&#231;o positivo no seu ciclo de carbono. Ela captura, fixa e det&#233;m esse carbono at&#233; muito mais do que outras florestas &#250;midas, que de acordo com &#233;pocas do ano, podem ter balan&#231;os negativos, emitir mais por transpira&#231;&#227;o do que fixa&#231;&#227;o. Isso ecoa no nessa agenda clim&#225;tica global porque qualquer floresta seca do mundo tem caracter&#237;sticas similares &#224;s da Caatinga. Mais de 2 bilh&#245;es de pessoas vivem em regi&#245;es secas e muitas culturas praticam o mesmo tipo de manejo, em termos gerais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As duas principais amea&#231;as para a Caatinga hoje s&#227;o a expans&#227;o da agricultura irrigada e o manejo pouco sustent&#225;vel da vegeta&#231;&#227;o como fonte de biomassa para combust&#237;vel, sobretudo para as olarias, mas principalmente para o polo gesseiro que fica na regi&#227;o do Araripe, que &#233; a maior jazida gipsita do planeta. Todo o cimento que est&#225; nas nossas casas cont&#233;m componente dessa jazida que consome enorme quantidade de biomassa vegetal, atrav&#233;s de planos de explora&#231;&#227;o. De um manejo florestal nem sempre fiscalizados, que t&#234;m causado degrada&#231;&#227;o para a Caatinga.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&#034;spip&#034;&gt;Nesse cen&#225;rio, qual &#233; a import&#226;ncia do uso das tecnologias de baixo carbono?&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;A gente precisa de tecnologia de baixo carbono para o planeta e para a economia como um todo. No caso da produ&#231;&#227;o rural na Caatinga, precisamos de tecnologias que reduzam a degrada&#231;&#227;o cr&#244;nica, que &#233; a retirada de por&#231;&#245;es da biomassa da floresta em pequenas quantidades, por&#233;m de maneira constante. Por exemplo, o estabelecimento de pol&#237;ticas de seguran&#231;a energ&#233;tica para a popula&#231;&#227;o rural que reduzam a sua depend&#234;ncia da floresta nativa para lenha; o manejo de esp&#233;cies ex&#243;ticas que est&#227;o hoje proliferando na Caatinga, como a algaroba. Essa pode ser considerada uma tecnologia que tem v&#225;rios benef&#237;cios porque ao mesmo tempo que reduz a press&#227;o sobre a vegeta&#231;&#227;o natural, tem uma esp&#233;cie ex&#243;tica sendo explorada no lugar dessa vegeta&#231;&#227;o com utilidade para fazer cercas, constru&#231;&#227;o e queima como combust&#237;vel de lenha, que &#233; a principal fonte energ&#233;tica para as popula&#231;&#245;es rurais da Caatinga. Essa pode ser uma das principais a&#231;&#245;es dessas tecnologias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por outro lado, temos m&#233;todos de produ&#231;&#227;o agroflorestal e org&#226;nicos que favorecem e s&#227;o estimulados a atender os mercados locais. Que esse alimento produzido na Caatinga possa ser consumido dentro das cidades, nas Caatingas, evitando que a pegada ecol&#243;gica dessa produ&#231;&#227;o agr&#237;cola aumente com o transporte de longas dist&#226;ncias. A Caatinga tem uma rede de estradas para distribuir produ&#231;&#227;o. Outra coisa importante: a gente tem a caprinocultura na Caatinga, que &#233; praticada de maneira extensiva. Estamos entendendo melhor os efeitos e vemos que os impactos n&#227;o s&#227;o t&#227;o grandes. No entanto, a gente tem, culturalmente, a ideia de que a carne de bode ou &#233; uma iguaria ou uma carne menos nobre, consumida por pessoas que est&#227;o mais vulner&#225;veis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sei que o PRS Caatinga fez um levantamento da cadeia de produ&#231;&#227;o da caprinocultura no sert&#227;o &#8211; esse &#233; um dos principais focos para estimular as tecnologias de baixo carbono. Ou seja, o manejo adequado da caprinocultura pode fazer com que tenhamos uma produ&#231;&#227;o de prote&#237;na animal na Caatinga de maneira sustent&#225;vel, que conviva com a floresta, e evite a emiss&#227;o desses gases. No caso do gado &#233; pior, porque envolve desmatamento e ainda h&#225; muita emiss&#227;o ligada a sua cadeia produtiva. O bode n&#227;o, o bode convive com a Caatinga, come, se alimenta de Caatinga e &#233; basicamente consumido internamente. Essa prote&#237;na tem muito menos impacto de pegada de carbono do que a prote&#237;na de carne bovina.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&#034;spip&#034;&gt;No que diz respeito &#224; degrada&#231;&#227;o promovida na Caatinga por outros processos, como a produ&#231;&#227;o de energia e&#243;lica. Como tornar essa atividade mais sustent&#225;vel?&lt;/h3&gt;&lt;div class='spip_document_44 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_right spip_document_right spip_document_avec_legende' data-legende-len=&#034;22&#034; data-legende-lenx=&#034;&#034;
&gt;
&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://prscaatinga.org.br/local/cache-vignettes/L500xH375/prs-caatinga-dia-de-protecao-a-floreestas-entrevista-felipe-melo-foto-gisele-parno-3--c2e56.jpg?1767073740' width='500' height='375' alt='' /&gt;
&lt;figcaption class='spip_doc_legende'&gt; &lt;div class='spip_doc_credits '&gt;Imagem: Gisele Parno
&lt;/div&gt;
&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;
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&lt;p&gt;Precisamos de uma mudan&#231;a forte na pol&#237;tica de promo&#231;&#227;o da energia e&#243;lica e da pr&#243;pria cultura empresarial das companhias e&#243;licas. J&#225; se acumularam evid&#234;ncias de diversos impactos, tanto naturais, quanto sociais, do estabelecimento dessas usinas e&#243;licas na Caatinga. Alguns deles s&#227;o deslocamento de pessoas, cerceamento de acesso a &#225;reas, contratos abusivos de loca&#231;&#227;o de propriedade para estabelecimento das torres, polui&#231;&#227;o visual, mudan&#231;as na legisla&#231;&#227;o ambiental dos estados que s&#227;o respons&#225;veis pelo licenciamento ambiental desses empreendimentos. A gente documentou isso em um &lt;a href=&#034;https://reader.elsevier.com/reader/sd/pii/S2530064419300537?token=07F54B6AC259BFA8DB853F8BAD5A1CE6D909F56AE9A9AAF6F17E8F026B4DCBE0328A2584EE1FABC2D39C081C4E7F55EA&amp;originRegion=us-east-1&amp;originCreation=20210715141119&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;artigo&lt;/a&gt; em 2019, mostrando que existe uma s&#233;rie de conflitos que precisam ser superados para que as companhias e&#243;licas que vendem energia sustent&#225;vel verde, em face de uma estrat&#233;gia de economia de baixo carbono, possam contribuir com uma estrat&#233;gia de apoio e conserva&#231;&#227;o. De compromisso com a conserva&#231;&#227;o do Semi&#225;rido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acho que j&#225; estamos atrasados em sentar com esse setor produtivo e negociar a&#231;&#245;es afirmativas de prote&#231;&#227;o &#224; Caatinga, visto que 85% do potencial e&#243;lico instalado e futuro do Brasil se encontra dentro dos dom&#237;nios da Caatinga. Vamos aumentar a produ&#231;&#227;o e&#243;lica e ela vai acontecer na Caatinga. Por isso, a Caatinga precisa receber os benef&#237;cios de mais esse servi&#231;o que ela presta. Toda pol&#237;tica p&#250;blica &#233; fruto da sociedade organizada e dos setores interessados. O setor e&#243;lico j&#225; recebeu uma quantidade enorme de benef&#237;cios econ&#244;micos, fiscais para se estabelecer na Caatinga e est&#225; na hora de ser mais transparente, sobretudo na parte da compensa&#231;&#227;o aos danos causados, e n&#227;o temos muito acesso sobre como esses danos est&#227;o sendo compensados. Na verdade, precisamos ir muito mais al&#233;m do que a compensa&#231;&#227;o do dano, ser mais propositivo. Para isso a gente precisa de articula&#231;&#227;o pol&#237;tica, precisa da presen&#231;a das institui&#231;&#245;es, das ONGs, da sociedade, num di&#225;logo proativo. Governos que defendam mais interesses coletivos. Precisamos de compromisso p&#250;blico dessas institui&#231;&#245;es para que isso aconte&#231;a.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&#034;spip&#034;&gt;No Dia de Prote&#231;&#227;o &#224;s Florestas, que mensagem deixaria para marcar essa importante data do calend&#225;rio ambiental?&lt;/h3&gt;&lt;div class='spip_document_45 spip_document spip_documents spip_document_image spip_documents_left spip_document_left spip_document_avec_legende' data-legende-len=&#034;20&#034; data-legende-lenx=&#034;&#034;
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&lt;figure class=&#034;spip_doc_inner&#034;&gt; &lt;img src='https://prscaatinga.org.br/local/cache-vignettes/L500xH322/prs-caatinga-dia-de-protecao-a-florestas-entrevista-felipe-melo-foto-joao-vital-4--768x494-83f39.jpg?1767073741' width='500' height='322' alt='' /&gt;
&lt;figcaption class='spip_doc_legende'&gt; &lt;div class='spip_doc_credits '&gt;Imagem: Jo&#227;o Vital
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&lt;/figcaption&gt;&lt;/figure&gt;
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&lt;p&gt;No fundo, a Caatinga s&#227;o &#8220;as Caatingas&#8221;. Temos desde florestas altas, de grande porte, at&#233; campos abertos, &#225;reas de afloramento rochosos, dunas, &#225;reas de domin&#226;ncia monoespec&#237;fica de algumas esp&#233;cies como as Carna&#250;bas do Cear&#225;, os Baba&#231;uais do Maranh&#227;o. A Caatinga s&#227;o muitas Caatingas e acho muito pouco essa obsess&#227;o que a gente tem por reduzi-la a uma floresta, a uma savana. S&#227;o &#8220;as Caatingas&#8221; e todas t&#234;m a sua utilidade, a sua import&#226;ncia tanto biol&#243;gica quanto humana e precisamos reconhec&#234;-las. A diversidade das Caatingas faz parte da defini&#231;&#227;o atualizada do que &#233; esse ecossistema exclusivamente brasileiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Deixaria a mensagem de que a Caatinga &#233; uma floresta de pessoas tamb&#233;m. &#201; uma das florestas que t&#234;m uma das maiores quantidades, junto &#224; Amaz&#244;nia, de pessoas que criam, vivem e reproduzem a sua cultura ligadas &#224;quele ecossistema, &#224;quelas &#225;guas, &#224;queles rios, &#224;queles animais. A gente tem que valorizar essa diversidade das Caatingas que alimentam e prov&#234;m base material para o desenvolvimento dessa cultura maravilhosa do sertanejo, que &#233; tipicamente brasileira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Refer&#234;ncias:&lt;/strong&gt;&lt;br class='autobr' /&gt;
Marlon Neri, Davi Jameli, Enrico Bernard, Felipe P.L. Melo, Green versus green? Adverting potential conflicts between wind power generation and biodiversity conservation in Brazil, Perspectives in Ecology and Conservation, Volume 17, Issue 3, 2019, Pages 131-135, ISSN 2530-0644, &lt;a href=&#034;https://doi.org/10.1016/j.pecon.2019.08.004&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;https://doi.org/10.1016/j.pecon.201...&lt;/a&gt; (&lt;a href=&#034;https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2530064419300537&#034; class=&#034;spip_out&#034; rel=&#034;external&#034;&gt;https://www.sciencedirect.com/scien...&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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