PRS Caatinga promove capacitação sobre monitoramento de carbono

Patrisia Ciancio | 18 de janeiro de 2023

Projeto pioneiro no semiárido tem meta de reduzir a emissão de CO2 em 20 mil toneladas

O enfrentamento das mudanças climáticas demanda cada vez mais metodologias de mensuração do balanço de carbono. Por ser um tema relativamente novo no bioma, o PRS Caatinga promoveu na última quinta-feira, dia 12 de janeiro, uma capacitação sobre monitoramento de CO2 para os coordenadores técnicos das 20 organizações parceiras que estão implementando Arranjos Produtivos Locais Sustentáveis em cinco estados do Nordeste.

Diana Signor, da Embrapa Semiárido

O treinamento foi ministrado por Diana Signor, pesquisadora da Embrapa Semiárido, e seu principal instrumento se baseia na metodologia EX-ACT, da FAO, a agência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. A ferramenta será utilizada nas Unidades Demonstrativas do PRS Caatinga.

– O termo baixa emissão de carbono começou a ser usado por conta do Plano ABC. Mas tudo que é referente à baixa emissão de carbono está num contexto muito maior de agricultura conservacionista, de práticas de conservação de solo e de água. A ferramenta trabalha com pontos-chave relacionados com as emissões. Pontos que entram nos levantamentos do relatório do IPCC, como revolvimento de solo, adição de fertilizantes, entre outros aspectos. A ferramenta contempla o balanço de carbono como um todo -, detalhou a especialista que coordena os estudos de monitoramento de carbono na Embrapa.

 

Expectativas em colaborar com a agenda global e combater a visão estereotipada sobre o semiárido

Durante a abertura, a coordenadora Científica do PRS Caatinga, Renata Barreto, lembrou aos participantes que o Projeto tem a meta de evitar a emissão de 20 mil toneladas de carbono. Maior que os números é o pioneirismo de levar as tecnologias de baixo carbono para a Caatinga, como complementou o diretor Pedro Leitão:

– Devemos deixar a mensagem positiva de que o Projeto é uma iniciativa cuja continuidade vai depender também do envolvimento político das instituições locais que estão evidenciando as vantagens das  tecnologias de baixo carbono nas propriedades. Esse tema deveria ser agenda, por exemplo, do novo Ministério, do Fórum de Governadores do Nordeste, entre outros importantes organismos. A partir dos dados que estamos levantando, eu diria, com toda humildade, que esta é uma experiência pioneira -, enfatizou Leitão.

O diretor do PRS Caatinga disse ainda que o Projeto trabalha também para mudar a visão estereotipada que se tem sobre esse bioma.

“Queremos que a Caatinga possa ser vista como um bioma capaz de contribuir positivamente para amenizar o efeito estufa, colaborar para a segurança alimentar do planeta e para a agenda climática global. Queremos que o PRS Caatinga seja um palco de mais experimentos com tecnologias de baixo carbono. A gente está inovando, estamos abrindo caminhos”, afirmou a liderança.

 

Coleta de amostra de solo em Sergipe, CDJBC,