PRS Caatinga marca presença na 69ª Expocrato

Patrícia Lyra e Anne Clinio | 20 de julho de 2022

Espaço da Fundação Araripe, organização parceira do Projeto, no maior evento agropecuário do Norte-Nordeste difunde TeABC

O PRS Caatinga esteve presente na 69ª Exposição Centro Nordestina de Animais e Produtos Derivados, a Expocrato, através da parceria com a Fundação para o Desenvolvimento Sustentável do Araripe. A fundação participa da feira há 20 anos e, nesta edição, investiu na difusão das Tecnologias Agrícolas de Baixo Carbono (TecABC) e de Tecnologias Sociais entre os visitantes.

De acordo com o coordenador regional do PRS Caatinga, Francisco Campello, a Expocrato é uma grande oportunidade de difundir as TecABC pelo seu alcance e público diversificado. “Durante a feira pudemos apresentar práticas sustentáveis, incentivadas pelo Projeto, que diminuem a emissão de gases de efeito estufa, preservam a vegetação nativa e contribuem para o aumento da produtividade agrícola e da renda do produtor e da produtora rural.

 

Espaço apresenta Tecnologias Sociais e Tecnologias de baixo Carbono para grande público

As Tecnologias Sociais são soluções coletivas criadas por agricultores e agricultoras para as condições climáticas do semiárido, e que dialogam fortemente com as TecABC na medida em que complementam as estratégias para a baixa emissão de carbono. Por isso, o PRS Caatinga também apoia a difusão de Tecnologias Sociais em água e energia. Elas também foram apresentadas pela Fundação Araripe, chamando a atenção de um grande número de visitantes, que puderam conhecer um Ecofogão, em tamanho natural, e aprenderam sobre o funcionamento de uma Barragem Subterrânea (ou Barramento Base Zero – BBZ).

Agricultora Damiana Vicente e a tecnologia do Ecofogão – Foto: João Vital

O Ecofogão é uma tecnologia social que traz maior eficiência energética para as casas. Tem estrutura para a preparação de alimentos, montado com tijolos refratários que evitam a dispersão do calor. A sua chaminé diminui significativamente a fuligem e a fumaça dentro de casa, evitando problemas de saúde, especialmente em mulheres que passavam mais tempo em contato com o fogão a lenha comum.

Segundo Damiana Vicente, agricultora familiar do Sítio Lírio, Chapada do Araripe (CE), a apresentação do Ecofogão e de outras tecnologias disseminadas pelo projeto precisam ter continuidade, pois trazem melhorias para o desenvolvimento do semiárido. “A Fundação Araripe trouxe para a Feira a realidade das tecnologias sociais, mostrando que é uma opção funcional e viável. Os trabalhos realizados nas comunidades são muito interessantes, pois são voltados para a sustentabilidade, o desenvolvimento local da economia, a preservação do meio ambiente e a segurança alimentar. Achei tudo muito interessante”.

Já a BBZ é muito utilizada na Recuperação de Áreas Degradadas (RAD) por conter a erosão do solo, muito comum no semiárido. Essa tecnologia social diminui a velocidade das chuvas de enxurradas, impedindo que o solo seja arrastado. Além disso, possibilita o armazenamento de água, que fica reservada para momentos de escassez.

Para Lázaro da Silva, visitante de Santana do Cariri (CE), a apresentação das TecABC e das tecnologias sociais mostrou uma das maiores vocações dessa região. “A Expocrato é muito voltada para o agronegócio, mas a agricultura familiar é o nosso forte. Esse foi o único espaço que trouxe exemplos da nossa realidade, através de práticas que são ou podem vir a ser desenvolvidas nas comunidades.”

 

Manejo e extrativismo sustentável de produtos não madereiros

Distribuição de mudas – Foto: João Vital

Os produtos não madeireiros da Caatinga também tiveram seu lugar de destaque no espaço da Fundação Araripe. Licuri, umbu, maracujá da Caatinga e mel são a base de produtos oriundos de ações de manejo e extrativismo sustentável promovidos pela Fundação, com o apoio do PRS Caatinga, junto a 40 famílias de agricultores nos municípios de Exu, Moreilândia e Santa Cruz, todos na Região do Araripe em Pernambuco.

Durante o evento, também foram distribuídas mudas nativas de ipê, flamboyant, maracujá da Caatinga, aroeira, entre outras plantas nativas, incentivando o seu plantio como mecanismo de compensação ambiental.

Alinne Freire, Coordenadora Técnica da Fundação Araripe nas ações em parceria com o PRS Caatinga, ressaltou que a participação na Expocrato foi muito positiva, por ser um ambiente estratégico para apresentação e difusão do Projeto na região do Cariri. “Nossa participação atraiu visitantes interessados em conhecer ações indispensáveis para a conservação dos recursos naturais e a continuidade dos serviços ecossistêmicos. Foi muito proveitoso”.