PRS Caatinga apresenta Programa de Capacitação em TecABC como estratégia de fortalecimento de ATER

prscaatinga | 22 de janeiro de 2021

Os docentes são professores de universidades públicas e organizações regionais com experiência relevante em práticas sustentáveis

O PRS Caatinga realizou no dia 20 de janeiro a primeira reunião on-line para apresentação do Programa de Capacitação em Tecnologias Agrícolas de Baixo Carbono (TecABC) na Caatinga, reunindo 87 representantes de instituições prestadoras de serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) que atuam nos municípios prioritários do Projeto.

O Programa de Capacitação é uma iniciativa do PRS Caatinga, com apoio de diversos parceiros regionais, e seu principal objetivo é fortalecer as entidades prestadoras de serviço de ATER que atuam diretamente com produtores rurais no aperfeiçoamento dos sistemas de produção, de acesso a crédito e financiamento, visando a melhoria da sua qualidade vida e de renda.

Para Pedro Leitão, Coordenador do Projeto, o investimento na qualificação da assistência técnica é um passo estratégico para promover a adoção de TecABC por produtores rurais. “Durante o “Mapeamento de Municípios Prioritários”, identificamos que o percentual de estabelecimentos rurais com acesso à assistência técnica é baixo, variando entre 0,4% em Curral Novo/PI e 23,3% em Nordestina/BA.

Além disso, o “Estudo sobre Capacitação de Assistência Técnica e Extensão Rural para Tecnologias de Agricultura de Baixo Carbono no Semiárido”, também realizado no âmbito do Projeto Rural Sustentável Caatinga, indicou a perda significativa de investimentos na qualificação de profissionais de ATER e precarização dos serviços de assistência técnica pelo enxugamento de equipes .

Nesse sentido, o Programa de Capacitação é uma oportunidade para qualificação dos quadros de colaboradores promovendo a diferenciação no perfil dos profissionais. O curso permitirá aos profissionais uma percepção maior entre as questões locais, como a degradação dos solos e o processo de desertificação,na região, com as agendas globais sobre a mudança climática e estratégias de mitigação e adaptação.

Ao adotar o mote “fortalecer a convivência com o semiárido”, o Programa de Capacitação reconhece o valor das práticas e das tecnologias sociais desenvolvidas a partir do conhecimento local como contribuições pioneiras tanto para a mitigação da emissão de gases de efeito estufa como para melhor adaptação à futuras emergências climáticas.

“Há interseções entre as tecnologias de convivência com semiárido e as TecABC, mas essa convergência não é clara para muitas pessoas e instituições atuantes nos territórios. Por desconhecer esta afinidade, a Caatinga não se integra plenamente na agenda global sobre a mudança climática, perde oportunidades de contribuir com a sua experiência em resiliência climática e desperdiça oportunidades de articulação e financiamento.” – afirma Francisco Campello, Coordenador Regional do PRS Caatinga.

Além disso, a experiência acumulada na Caatinga para a convivência com a escassez de água, constitui um importante arcabouço para o tema da resiliência climática. O diálogo entre as práticas e tecnologias sociais já consagradas na Caatinga e as TecABC pode criar e fortalecer estratégias de enfrentamento das questões socioambientais emergenciais e de longo prazo.


Sobre o Programa de Capacitação em TecABC na Caatinga

O “Programa de Capacitação em Tecnologias Agrícolas de Baixo Carbono na Caatinga: fortalecendo a convivência com o semiárido” está composto por 10 módulos, de 30 horas cada, totalizando cerca de 300 horas entre aulas teóricas e práticas. Para as aulas teóricas, será utilizada a plataforma Google Classroom. Já as aulas práticas serão realizadas em pólos, a depender do desenvolvimento da pandemia de Covid-19.

O corpo docente é composto por professores vinculados a universidades públicas como a Univasf, Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal do Rio Grande do Norte, além da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Piauí (Emater PI) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Reserva da Biosfera da Caatinga. Conta ainda com profissionais de organizações da sociedade civil como a Fundação Araripe, o Caatinga, a Agrodoia, do Adapta Group e técnicos do PRS Caatinga.

Em um primeiro momento, o Programa de Capacitação irá atender 125 profissionais de ATER vinculados a organizações que prestam serviço nos municípios prioritários do PRS Caatinga. Está programada ainda a capacitação de outros 250 profissionais vinculados à produção rural nos mais diversos perfis. “Além dos profissionais de ATER, é preciso levar esta temática para outros profissionais que interagem e influenciam as atividades produtivas, tais como servidores públicos, agentes ambientais, agentes de crédito”, comenta Pedro Leitão. “Nossa proposta é criar um ambiente propício para adoção de tecnologias agrícolas de baixo carbono, passando por todos os setores que influenciam as cadeias produtivas e os Arranjos Produtivos Locais (APLs) – desde os insumos, passando produção e comercialização e processamento até a distribuição e consumo.” – complementa o coordenador geral.