Aula inaugural da 4ª turma do Programa de Capacitação fala de ciência e inovação no bioma

Patrisia Ciancio | 16 de novembro de 2021

Pesquisadora Sarita Albagli destaca a importância de novas formas de conhecimento e modos de produzir ciência

O PRS Caatinga tem uma proposta inclusiva de inserir o pequeno e o médio produtor no debate global sobre as mudanças climáticas, pois compreende que esses atores contribuem para o desenvolvimento sustentável. No entanto, para que sejam reconhecidos, a agricultura familiar precisa dialogar cada vez mais com as Tecnologias Agrícolas de Baixa Emissão de Carbono (TecABC). Por isso, o PRS Caatinga está promovendo um Programa de Capacitação por meio da parceria entre a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF).

Na última sexta-feira, 12 de novembro, foi iniciada a quarta turma com uma proposta e estrutura diferenciadas. Agora, no formato de curso de capacitação, as aulas teóricas prosseguem realizadas por meio de plataforma online. Já o conteúdo dos dias de campo e visitas técnicas será ofertado em vídeos gravados nas turmas anteriores.

 

Perspectivas para Caatinga: redes de pessoas e conhecimentos para a sustentabilidade

Após uma breve apresentação dos objetivos, das ações e metas do PRS Caatinga, pelo diretor Pedro Leitão, o coordenador regional Francisco Campello comentou:

“A Caatinga é o bioma mais ruralista do Brasil, com 32% das propriedades rurais do país. São cerca de 1,6 milhão de propriedades. Deste total, 75% têm menos de 20 hectares. Levar para a região as TecABC é incluir o agricultor familiar como ator social da sustentabilidade. Estamos no semiárido mais populoso do mundo, com propriedades de menos de 20 hectares, na média. Vejam que desafio. Trabalhar o conceito de baixo carbono nesse cenário passa por duas grandes percepções: saber usar o patrimônio florestal com critérios de sustentabilidade e trabalhar o solo para enriquecê-lo”, enfatizou Campello.

O coordenador afirmou que a capacitação, além de inédita no Brasil, tem um formato muito inovador e diferenciado na relação professor-aluno. Segundo Campello, o que está se fazendo na UNIVASF é uma relação de construção, o que facilita o trabalho no conceito de redes. Formar uma grande rede de pessoas e conhecimentos é um dos pilares do projeto.

– As TecABC fortalecendo a convivência com o semiárido significa colocar o agricultor familiar como protagonista de um processo inovador, colocá-lo em uma plataforma globalizada, e mostrar que a convivência não é sobrevivência. É muito mais do que isso, é dignidade, é produzir com qualidade e com a oportunidade do curso, estabelecer métricas nesse processo para a gente mostrar que também estamos contribuindo para minimizar as emissões, levando sustentabilidade. E por que não dizer que o agricultor familiar pode ser um ator, um protagonista social da implementação dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável? Isso não está só nos grandes grupos, nas grandes propriedades. O curso é uma grande oportunidade de mudança de paradigmas de fortalecer essa luta histórica pela convivência, inserindo em uma agenda maior -, enfatizou Campello.

 

Palestra aborda os desafios do desenvolvimento sustentável

A pesquisadora do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Ciência Aberta e Inovação Cidadã (CindaLab), Sarita Albagli, ministrou a palestra inaugural “Conhecimento e inovação e os desafios do desenvolvimento sustentável”, trazendo perspectivas históricas e abordagens críticas sobre os três conceitos.

Socióloga e doutora em Geografia, Sarita Albagli afirmou que “atualmente vivemos a condição de emergência como cotidiana, pois há riscos graves a manutenção da vida no planeta”, relembrando as desigualdades na vivência desses fenômenos. Nesse contexto, afirmou a necessidade de uma concertação entre vários atores e de fomentar o diálogo com novas formas de conhecimento e outros modos de produzir ciência. Partindo da Ciência Aberta, destacou o campo da Ciência Cidadã, a noção de “direto à pesquisa” e a possibilidade de produção de conhecimento pelos cidadãos em uma perspectiva mais democrática, polifônica e vinculada à noção de justiça cognitiva.

A pesquisadora comentou ainda que vem acompanhando a parceria entre a FBDS e a UNIVASF e destacou que esse dueto está fazendo o conhecimento das TecABC chegar aos territórios, sendo importante o seu desdobramento nas comunidades.

 

Confira a aula na íntegra: